Sexualidade feminina na maturidade.

Conversa à meia-luz.

Poucos assuntos estão envoltos em maior obscuridade do que a genitália e o prazer feminino. É verdade que nas últimas décadas isso vem mudando, mas ainda existe um longo caminho pela frente.

Tabus são prejudiciais à saúde.

Essa realidade tem causado uma série de dificuldades para as mulheres, sejam de ordem psíquica, social ou física. Sim, porque, para além do aspecto emocional, diversas mulheres deparam com os limites da desinformação e da negligência médica quando precisam tratar de doenças e distúrbios, muitas vezes graves, relacionados ao clítoris ou a vulva, por exemplo.

Para a mulher madura esses temas podem se tornar ainda mais nebulosos porque, somados ao enfrentamento com a menopausa e outras decorrências do envelhecimento, as mulheres 50+ sentem-se ainda mais acuadas e solitárias.

Por isso, o Universo+ Festival tomou para si a responsabilidade de quebrar as barreiras sobre genitália e sexualidade feminina, com foco especial nas 50+, a fim de trazer à luz dificuldades e soluções.

Juliana Schulze, cofundadora do U+ Festival, é a principal porta-voz sobre o tema dentro da estrutura do nosso evento. Juliana é fisioterapeuta e especialista em Saúde da Mulher, Doutora em Psicologia Social (PUC-SP), Mestre em Ciências da Saúde (Unifesp) e criadora do método Ginástica Feminina, que trabalha o corpo de forma global, com ênfase no assoalho pélvico.

Credenciadíssima para abordar a sexualidade feminina, a cofundadora do U + escreveu um amplo artigo sobre o tema. Destacamos a seguir alguns trechos para você.

“ Em 2005, a Dra. Helen O’Connell, ginecologista australiana, publicou o primeiro estudo focado no clitóris. Sim, somente em 2005 começamos a falar sobre isso, inacreditável, não? A partir de ressonância e microdissecção, ela evidenciou que o que vemos externamente é só uma parte de um órgão… Segundo a médica, a importância de se conhecer profundamente a anatomia feminina está relacionada aos cuidados que devem ser tomados, por exemplo, durante as cirurgias pélvicas e urológicas, evitando repercussões negativas na sexualidade das mulheres.”

E acrescenta:

“O mais interessante sobre meus estudos é que mais de 70% das mulheres (independente de nível socioeconômico) nem sequer haviam ouvido falar a palavra assoalho pélvico. Muitas tinham queixas de incontinência urinária (41% no grupo de alto nível socioeconômico e 65% no de baixo nível) e diminuição de libido e achavam que isso fosse normal, já que estavam envelhecendo.”

Portanto, a necessidade de abrir espaço para debater o tema é urgente e mandatória.  Mas, o lado bom dessa história, é que todas nós podemos colaborar com isso.

Primeiro, devemos falar sobre o assunto e conversar, o mais abertamente possível, com amigas, médicos, terapeutas e outros, sobre as nossas experiências, dúvidas e dificuldades. Começa por nós deixar a timidez de lado ao pronunciar palavras como clitóris, vagina e orgasmo. Começa por nós transmitir essa mensagem para nossas filhas, netas, bisnetas e sobrinhas. Começa por nós participar ativamente do U+ Festival, de modo a incentivar que a sexualidade feminina saia da obscuridade, conquistando seu direito à livre expressão e ao livre usufruto.

Quer saber mais? Dê uma conferida em 2 “mitos e verdades”*.

MITO: O clitóris é um pequeno órgão semelhante a um botão.

FATO: Embora a parte visível do clitóris seja pequena e localizada sob uma dobra de pele conhecida como capuz do clitóris, acima da abertura vaginal e da uretra, há muito mais no clitóris do que aparenta. O restante do clitóris é um sistema complexo de tecidos eréteis esponjosos e nervos que se estende para dentro do corpo, envolve a uretra e percorre os dois lados da vagina.

MITO: Orgasmos clitorianos e orgasmos vaginais são entidades separadas.

FATO: Classificar um orgasmo como “clitoriano” significa que uma mulher atinge o orgasmo pela estimulação da glande do clitóris, enquanto um “orgasmo vaginal” é um orgasmo que vem da penetração vaginal. Porém, na realidade, a vagina tem poucas terminações nervosas, então sua estimulação não pode levar ao orgasmo. Em vez disso, os orgasmos vaginais estão relacionados à estimulação do corpo interno do clitóris que envolve o canal vaginal.

*FONTE: ISSM – International Society For Sexual Medicine